O Vale do Laboreiro e o seu rio são cobiçados desde o tempo do Estado Novo. Hoje em dia, os interesses são privados. Empresas sediadas nas grandes cidades projectam mini hídricas e fazem contas ao dinheiro fácil. A EDP pensa na barragem da Açoreira. Nos últimos dois anos a pressão tem-se intensificado nos subterrâneos do poder.

É lamentável que não sejam conhecidos (públicos) os nomes dos requerentes e os locais onde se pretendem implantar tais projectos. Impunha-se mais transparência, informação e esclarecimento. Nos últimos anos, uma dezena de projectos foram chumbados pelas entidades responsáveis. Alguns, são ambiciosos a nível construtivo: um deles por exemplo, têm previsto um túnel de centenas de metros na encosta Este do Castelo.

O rio na sua parte internacional está fora de questão, já que a Xunta da Galiza, através do Parque do Xurés, não autoriza qualquer projecto do genéro no local, por isso, "a guerra" situa-se no espaço de rio que vai desde o lugar da Vila, à fronteira no lugar de Mareco.
Sem qualquer dúvida, os interessados apostam na sedução dos dirigentes das instituições. Felizmente, as mesmas têm sido dirigidas por pessoas cientes da sua missão e responsabilidade, e os respectivos oportunistas só têm conhecido um Não como resposta possível.

Qualquer obra na região, seria um erro crasso que se pagaria bem caro. Atentemos nisto todos Nós.

Vamos defender o que ainda nos resta de genuíno e natural na nossa terra!

Visto que o NEPML foi um dos muitos subscritores do documento contra a barragem da Açoreira, tomamos a liberdade de o publicar aqui na íntegra.

O Movimento Contra a Pretensão de Construir a Barragem da Assureira

DECLARAÇÃO DE PROTESTO
 

O Movimento Contra a Pretensão de Construir a Barragem da Assureira  é um grupo de naturais e/ou residentes da freguesia de Castro Laboreiro, concelho de Melgaço, surgido espontaneamente com o único objectivo único de se opor, com firmeza e lançando mão de todos os meios ao seu alcance,  a qualquer possibilidade de ser construída uma barragem no Rio de Castro Laboreiro (Rio Laboreiro).
Este “Movimento”, constituído por pessoas livres e independentes de qualquer organismo ou cor politica, unicamente preocupadas e movidas pela defesa de Castro Laboreiro e das suas gentes, representado pelos abaixo assinados,

CONSIDERA QUE:
 

  1. a Barragem da ASSUREIRA, é proposta para um espaço que é SÍTIO REDE NATURA 2000, ZPE - Zona de protecção especial e PARQUE NACIONAL;por tudo isto, tal território encontra-se protegido por toda a legislação portuguesa e comunitária, correspondente às diferentes categorias de ordenamento e respectivos níveis de protecção visadas, resultando assim uma forte incompatibilidade com a pretensão de instalação de um novo empreendimento hidroeléctrico, neste território;
  2. os habitantes de Castro Laboreiro não terão qualquer vantagem na existência da barragem, a não ser as miseráveis indemnizações iniciais dos poucos terrenos;
  3. a construção da barragem provocará alteração do caudal do Rio Castro Laboreiro, principalmente a jusante, com todas as consequências daí inerentes;
  4. a movimentação de terras e acessos será brutal, provocando danos na paisagem física para sempre;
  5. a barragem provocará alteração do microclima, já a sofrer alterações de índole global e da proximidade da barragem do Lindoso (fortes nevoeiros e mais humidade);
  6. alguns lugares das Inverneiras e os seus espaços agrícolas e de baldios, serão afectados irremediavelmente;
  7. na área abrangida pela albufeira do referido empreendimento existe fauna e flora, que de acordo com alguns especialistas possui alto valor botânico e faunístico. A truta a montante, já escassa, baixaria para níveis incomportáveis ou mesmo de extinção;
  8. o local será também depósito de lixo, acumulado em profundidade; A qualidade da água será péssima;
  9. a paisagem criada com uma forte identidade cultural das comunidades humanas associada à economia agro silvopastoril, construída numa relação estreita e inteligente com o Meio Natural sofrerá um ataque irrecuperável;
  10. o espelho de água artificial que aí será criado, cortará a ligação cultural de séculos;
  11. nos meses de Verão com o nível da albufeira baixo, e as margens escarpadas sem vegetação, fará com que o aspecto do local seja desolador;
  12. o povoamento singular na Europa ocidental, que apresenta aqui uma complexidade e riqueza única, expressa no sistema Brandas e Inverneiras, que conformam um património de elevado valor cultural e ambiental, sofrerá um ataque de danos irreparáveis, visto que vários lugares serão afectados directamente ou indirectamente pelo empreendimento;
  13. a aposta da política local, no turismo ligado à natureza, será posta em causa;
  14. a zona conta com um Monumento Nacional, Ponte da Cavada Velha, ícone da forte identidade cultural. Esta ponte pode desaparecer, e na melhor das possibilidades a paisagem paradisíaca natural envolvente, morrerá para sempre, ficando a estrutura totalmente desenquadrada;
  15. outro património, que existe no local de valor inquestionável, será perdido para sempre; Vários caminhos históricos desaparecerão;
  16. as Inverneiras tem sido procuradas nos últimos anos para turismo, e a freguesia de Castro Laboreiro, foi recentemente classificada nas Aldeias de Portugal, podendo advir disso, novos apoios à recuperação e aproveitamento das suas casas. A barragem é incompatível com estas tendências. Este empreendimento intensifica a desertificação.
  17. o melhor espaço de praia fluvial natural do Alto Minho onde ocorrem centenas de pessoas, Castrejos e turistas, nos meses de verão, perder-se-á para sempre;
  18. etc.

razões pelas quais se opõe à construção de qualquer barragem no Rio Laboreiro, porquanto tal empreendimento, atingiria de forma grave e irreparável os valores patrimoniais, naturais e paisagísticos desta área, cuja preservação, além do mais,  consubstancia uma estratégia de conservação da natureza e da biodiversidade efectiva e responsável.
(seguem os subscritores)