Nos últimos anos em diversas ocasiões, o NEPML alertou para as tragédias ambientais que normalmente estão associados aos incêndios, principalmente numa zona de ecossistemas de fauna e flora singelos, de difícil recuperação, e onde a erosão é brutal.
Os incêndios dos últimos dias levaram o drama ao lugar das Coriscadas, tragédia adivinhada há muito para os lugares das Inverneiras. Os incêndios saldam-se sempre por elevadas perdas materiais, e por vezes em vidas humanas. Nos últimos 35 anos aconteceram dezenas de lumes abrasadores, nos nossos montes, que alteraram a paisagem e provocaram danos impossíveis de quantificar.
Não faz parte dos nossos objectivos, como instituição cultural, nem é competência nossa, analisar causas, políticas e estratégias; o que nos faz falar além da preocupação, a indignação, e das reinantes desresponsabilização e impunidade, é realmente o nosso esforço por criar uma nova atitude cultural, preservando e valorizando tudo aquilo que possuímos, que pertence a todos, e que deve ser herança das gerações futuras.
No século XXI, um dos indicadores para avaliar o estádio evolutivo da sociedade em que vivemos é a maneira como tratamos, estimamos e valorizamos a natureza. Daqui podemos aferir da nossa dimensão cultural, base e fundamento de uma responsabilidade ética e social.
Ficam aqui algumas considerações para o futuro:
- Daqui a 15-20 anos poucos serão os moradores dos lugares de Castro Laboreiro a tempo inteiro, e muitos menos serão aqueles que terão interesse pela causa comunitária;
- Não conseguiremos tratar o que é de todos, sem diálogo, união e solidariedade; o colectivo deve sempre sobrepor-se ao individual;
- Não conseguiremos vencer o flagelo dos incêndios sem planos que abranjam todo o território e integre, numa só entidade, a organização espacial, a prevenção e o combate aos mesmos;
- Não conseguiremos vencer os desafios ligados ao meio ambiente se não tivermos a implicação dos poderes locais na definição das políticas e na sua concretização;
- Não conseguiremos vencer os desafios ligados ao meio ambiente sem educação e sensibilização ambiental, e sem responsabilizar e penalizar os proprietários que não tratam as suas propriedades, e que não respeitem as dos outros;
- Não conseguiremos vencer os desafios ligados ao meio ambiente se não profissionalizarmos o sector (brigadas de sapadores, etc), se o não dotarmos dos meios humanos, técnicos e financeiros necessários;
- A freguesia deve ter uma única associação para a gestão dos baldios, onde todos os lugares estejam representados na sua direcção, e onde cada fogo (família) da freguesia tenha direito ao seu voto, conforme usos e costumes desde tempos imemoriais.
- Recuperando uma ideia antiga, o NEPML defende para a região a criação de uma associação ambientalista, de defesa dos rios e dos montes, que esteja fora de qualquer esfera política, ou grupo de interesse. No século que vivemos, e atendendo aos desafios que nos esperam, tal a associação estaria constituída: Associação dos Baldios de Castro Laboreiro..